"A vida dos agricultores açorianos está mais difícil e o Governo não consegue dar resposta ao setor”, diz PS/Açores

PS Açores - Há 8 horas

A deputada do PS/Açores, Patrícia Miranda, alertou hoje que, apesar da relevância e da resiliência da agricultura açoriana, “os agricultores estão a trabalhar mais, a investir mais e a arriscar mais, mas a ganhar o mesmo ou menos”, denunciando a falta de respostas concretas do Governo Regional perante o aumento dos custos de produção e a pressão crescente sobre o setor.

Durante o debate de urgência sobre Agricultura, na Assembleia Legislativa, a parlamentar reconheceu que o setor continua a apresentar indicadores positivos, com expedições agrícolas na ordem dos 445 milhões de euros em 2025 e áreas em crescimento como a produção biológica, o vinho ou o mel, sublinhando, no entanto, que esta evolução não pode esconder as dificuldades sentidas no terreno.

Patrícia Miranda destacou que produzir nos Açores continua hoje significativamente mais caro, apontando o aumento do preço da ração face a 2021, a subida dos fertilizantes entre 30% e 40%, o agravamento do custo do gasóleo agrícola e dos encargos financeiros, bem como as dificuldades crescentes na contratação de mão de obra.

Perante este cenário, a deputada socialista criticou a atuação do Governo Regional, acusando-o de “anunciar, mas não concretizar; prometer, mas não cumprir”, sublinhando a ausência de investimento em áreas essenciais para a competitividade das explorações.

“Por opção política, este Governo deixou por investir quase 25 milhões de euros em infraestruturas agrícolas, nos últimos cinco anos”, sublinhou, frisando os com impactos diretos no aumento dos custos de produção e na redução da eficiência.

A socialista destacou ainda a falta de resposta em momentos críticos, nomeadamente a exclusão dos Açores de apoios nacionais ao setor agrícola, que representaram uma perda de cerca de 23 milhões de euros para os produtores, agravando problemas de liquidez e endividamento.

No que diz respeito aos apoios regionais, Patrícia Miranda apontou falhas na execução do PEPAC, cuja taxa de execução ronda os 18% a menos de dois anos do seu término, alertando para investimentos que não avançam e oportunidades que se perdem, com impacto direto na vida dos agricultores.

A parlamentar criticou igualmente a ausência de medidas eficazes no setor do leite, lembrando que o fundo de garantia anunciado não foi criado e que, perante novas descidas de preço, os produtores continuam expostos, “com promessas do Governo, mas sem respostas concretas”.

Também os constrangimentos no transporte marítimo de animais vivos foram apontados como uma falha estrutural por resolver, com consequências no escoamento da produção e no rendimento dos agricultores, bem como o incumprimento de medidas dirigidas aos jovens agricultores.

“Garantir rendimento, estabilidade e condições para modernizar e valorizar o setor, mais do uma opção política, deve ser responsabilidade em afirmar que a agricultura não é um setor do passado, mas sim uma prioridade no presente e um compromisso para o futuro”, concluiu Patrícia Miranda.

 

Horta, 15 de abril de 2026